MULHERES EM VENDAS / CULTURA E LIDERANÇA
Outubro acabou, mas a conversa sobre mulheres no mercado de trabalho precisa continuar
Oportunidade, reconhecimento e espaço para crescer não podem depender do mês no calendário.

Histórias de mulheres que vivem o mercado comercial para além das campanhas de calendário.
Todo ano, alguns meses concentram as conversas sobre mulheres. Março tem o Dia Internacional da Mulher. Outubro
tem o Outubro Rosa, que mobiliza empresas em torno da prevenção do câncer de mama. São datas importantes, e boa
parte das ações feitas nelas é bem-intencionada. O problema começa quando o assunto termina junto com o mês.
A vida profissional das mulheres não acontece por campanha. A negociação salarial, a promoção que não veio, a
reunião em que uma ideia só foi ouvida quando outra pessoa a repetiu, a meta batida que ninguém comentou: tudo
isso acontece em novembro, em fevereiro, em julho. Se a empresa só fala de mulheres quando o calendário pede, a
mensagem que fica é que o tema é decorativo.
Na Mango, a gente decidiu fazer o caminho contrário. Outubro acabou, e é justamente por isso que vale continuar
falando de mulheres, especialmente das que trabalham com vendas.
Por que a conversa costuma ter data para acabar
Datas comemorativas funcionam porque criam um gatilho coletivo. Todo mundo sabe que é hora de falar do assunto, as
marcas se organizam, as redes sociais se enchem de conteúdo. A mesma lógica explica por que a conversa perde força
logo depois: ela foi pensada como evento, não como processo.
Há também um desconforto que a data ajuda a evitar. Homenagear é mais fácil do que olhar para dentro. Uma mensagem
bonita no dia 8 de março não exige revisar critérios de promoção, analisar diferenças de remuneração ou perguntar
às profissionais da própria equipe como está a experiência delas. Essas perguntas são menos fotogênicas, mas são
as que mudam alguma coisa.

A conversa precisa acontecer nas reuniões, nas decisões e nas rotinas de trabalho.
O que os números mostram e o que eles não mostram
O Global Gender Gap Report 2026, do Fórum
Econômico Mundial, ajuda a dimensionar o tema. Na média das 145 economias avaliadas, 69,2% da diferença entre
homens e mulheres foi fechada. No ritmo atual, a paridade completa levaria 120 anos.
O dado mais revelador para quem trabalha em empresas está em outro ponto do relatório. No mundo, a paridade entre
profissionais técnicos e especializados chega a 73,7%. Entre gestores, altos executivos e legisladores, cai para
41,7%. Em outras palavras, as mulheres já ocupam boa parte das posições qualificadas, mas a presença diminui
conforme o cargo sobe.
O Brasil aparece em 72º lugar, com 71,5% da diferença fechada. Na dimensão de participação econômica e
oportunidades, o país está em 66,6%. A paridade em cargos de gestão e liderança é de 66%, e a de renda estimada,
de 62,2%. Para um retrato mais detalhado da realidade brasileira, o IBGE publica o estudo Estatísticas de Gênero, que cruza
indicadores de trabalho, educação, renda e uso do tempo.
Números como esses mostram tendências, mas não contam histórias. Eles não dizem como foi a primeira negociação de
uma vendedora com um cliente que preferia falar com o gestor dela. Nem o que levou uma profissional experiente a
recusar uma promoção. Para entender isso, é preciso perguntar e escutar.
OS NÚMEROS EM PERSPECTIVA
69,2%
da lacuna global fechada
120 anos
até a paridade, no ritmo atual
41,7%
de paridade em gestão e alta liderança
Fonte: Fórum
Econômico Mundial — Global Gender Gap Report 2026.

A presença de mulheres em uma equipe não garante igualdade nas oportunidades.
Estar presente não é o mesmo que ter oportunidade
Uma equipe pode ter muitas mulheres e, ainda assim, oferecer a elas caminhos mais estreitos. Isso acontece quando
as contas maiores vão sempre para as mesmas pessoas, quando os critérios de promoção dependem de quem tem mais
afinidade com a liderança ou quando a disponibilidade fora do horário vira requisito informal para crescer.
Nenhum desses mecanismos precisa ser intencional para ter efeito. Por isso a conversa sobre representatividade
precisa avançar para perguntas mais concretas. Quem recebe as melhores oportunidades? Quem é lembrado na hora de
liderar um projeto? Quem tem espaço para errar e aprender? Responder a isso exige dados internos e escuta, e
nenhum dos dois cabe numa campanha de um mês.
Também vale lembrar que "mulheres" não é um grupo único. Uma vendedora em início de carreira, uma
gestora comercial com vinte anos de mercado, uma profissional que é mãe solo e uma mulher negra em uma equipe
majoritariamente branca vivem situações diferentes. Tratar todas as experiências como iguais é uma forma de não
ouvir nenhuma delas.

Acesso a boas carteiras, critérios transparentes e reconhecimento também fazem parte da equidade.
Por que olhar para as mulheres em vendas
Vendas é uma área curiosa para esta conversa. Os resultados são medidos de forma visível, com metas, comissões e
rankings. Em tese, isso deveria tornar a área mais justa: quem vende, aparece. Na prática, o caminho até a venda
passa por fatores menos mensuráveis, como acesso às carteiras mais promissoras, apoio da liderança, ambiente de
equipe e a forma como clientes e colegas reagem a quem está do outro lado da mesa.
É também uma área em que relação de confiança, escuta e leitura de contexto fazem diferença direta no resultado.
Muitas profissionais desenvolveram essas competências na prática, às vezes justamente porque precisaram provar
mais para serem levadas a sério. Essas trajetórias têm muito a ensinar para qualquer equipe comercial, e quase
nunca são contadas.
Foi esse o ponto de partida da campanha: conversar com mulheres que vivem vendas no dia a dia. Parte dessas
conversas aconteceu durante um evento da Lud's, e os depoimentos estão sendo publicados nas redes da Mango.

Trajetórias reais de profissionais de vendas ajudam a ampliar a conversa.
O que muda quando a conversa sai do calendário
Para empresas e lideranças comerciais, continuar a conversa não significa produzir mais conteúdo comemorativo.
Significa transformar o tema em rotina de gestão. Algumas perguntas ajudam a começar: como as carteiras e os leads
são distribuídos? Os critérios de promoção estão escritos e são conhecidos por todos? Há diferença de remuneração
variável entre pessoas com desempenho parecido? As profissionais da equipe sentem que podem discordar, negociar e
pedir ajuda sem custo?
Nenhuma dessas perguntas tem resposta pronta, e algumas podem gerar desconforto. É assim mesmo. O objetivo não é
encontrar culpados, é enxergar o que o dia a dia esconde. Uma liderança que pergunta e escuta com regularidade
descobre mais do que qualquer pesquisa anual de clima.
Para quem está na área, a conversa contínua também tem valor. Ouvir outras trajetórias ajuda a perceber que
algumas dificuldades não são falhas individuais. E ajuda a encontrar caminhos que outras pessoas já testaram.

O diálogo sobre desenvolvimento profissional não deve ter data para terminar.
Uma conversa que não cabe em um mês
Outubro passou, e com ele a maior parte das campanhas. As perguntas sobre oportunidades, reconhecimento e espaço
para crescer continuam aqui. Manter essa conversa viva é uma escolha que empresas, lideranças e profissionais
fazem todos os dias, em decisões pequenas e pouco visíveis.
A Mango trabalha com processos comerciais, e a gente sabe que nenhum processo funciona sem as pessoas que o
executam. Falar de mulheres em vendas é falar de como esses processos são vividos por dentro.
A conversa continua. As histórias também.
Quer continuar essa conversa? Baixe o e-book da Mango sobre mulheres em vendas e conheça trajetórias, desafios e
aprendizados de quem vive a área comercial.



